quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

A Vagina Sem Mulher: Cap. III

- Recomendado para apreciadores de uma boa vagina novela - 


♪ Eu nem sei mesmo quem sou nessa falta de carinho. Por não ter um grande amor
Aprendi a ser sozinha... Vagina! 

Perdida em seus pensamentos e sem muita idéia do que fazer para ir para outro país sem ser estuprada, Vagina sentia-se impotente diante de um mundo dominado por bundas e peitos siliconados. Ela não se sentia feia, mas sabia que não era nenhuma top model. Como ela gostaria de parar em algum lugar, tomar uma água e um bom banho, mas a vida não era fácil. Ela estava sóbria de que quem tem um sonho não pode se desviar nenhum passo e nem um gole. Ela estava apostando tudo por um sonho e não seria um mau cheiro interno que a ia impedir de seguir suas ambições: ser a primeira vagina a ir à lua!

Há uns dois bares de distância, estava Suzana sentada na calçada. Arrependida de não ter assaltado nada até aquela hora do dia. Ser honesta era um tédio, mas ela não era mulher de desistir de suas intenções. Mesmo sendo uma mulher vivida, queria ainda viver mais e melhor. Sentia saudades dos seus tempos de juventude e promiscuidade, mas fazer anal não era igual. E enquanto pensava nas várias posições que já esteve na vida, uma lágrima escorreu dos seus olhos. Aquele vazio interno já não era tão profundo. Sua linda vulva não estava mais ali para ser alimentada.  Nem mais mulher da vida e nem da casa ou do lar. Queria sair do fundo do poço onde se encontrava. Estava decidida a terminar seu curso de matemática abandonado no primeiro período que abandonou por falta de emoções além apostila. Mas estava muito quente para ficar lesando nos cantos e mais agora que estava se aproximando de Messias Targino. Bateu a poeira das suas chinelas de oncinha, pegou a velha bolsa e aquele óculos que furtara pouco antes de sair da Redinha em Natal e seguia desfilando como havia aprendido com as travestis de São Gonçalo do Amarante. Enquanto suava, não perdia a pose e muito menos o foco. Sabia que sua felicidade estava perto e mesmo se sentido sozinha, sabia que o melhor estava por vir.

Enquanto isso em Patu, Esmerilda já não sabia como sentir-se. Não poderia espalhar na rua que estava desvaginada. Já não bastava a mãe que era uma fofoqueira despeitada, o que diriam da filha naquela condição inédita. Ela pensou em confessar pro pastor, mas a sua igreja ficava muito longe, ali pelas bandas dos Correios. Além pobre e semi analfabeta se não pudesse ser varoa reprodutiva o que mais seria na vida? E as chances de sair para conhecer o mundo e encher o quintal de crianças? Esmerilda se via perdida. Aquela nova forma de ver a vida foi a dando novos sentimentos. Não aqueles que ela repreendia batendo com uma régua em sua vulva. Sentia algo como uma idéia surgindo. Era incrível, ela não sabia se era pecado, mas estava praticamente pensando! Um turbilhão de emoções a dominavam. Mesmo com toda aquela felicidade sabia que não poderia sair por ai simplesmente tendo idéias do nada. Sua mãe era daquelas velhas malditas que não largam de ficar se fingindo varrer o terreiro.

Pra se ter noção. Ela já deixava a vassoura escondida no canteiro da rua pra sair varrendo até a esquina, sem se importar se era dia ou noite. A velha sempre retrucava com seus poucos dentes quê “Deus não dormia e ela tinha que estar pronta pro arrebatamento.” Esmerilda então foi lavar os pratos e inventar que tinha menstruado pra não ter de ir pro culto, já que a mãe morria de vergonha da possibilidade de ter uma filha sua sangrando igual a um boi na calçada da igreja. Esmerilda estava ficando melhor do que imaginara no quesito engabelar a mãe. Mesmo assim, sentia falta de sua amiga de infância. Era pendurando os pano na cerca do quintal e olho pras plantas onde costumava subir pra olhar dentro da calcinha.

-Minha amiga, nem sei se Deus olha pra uma coisinha miúda como você, mas espero que ele possa cuidar de você por mim, mulherzinha.

Disse essas palavras e ficou refletindo sobre como tratar um órgão tão rebelde como sua vagina. E ria sozinha enquanto cantarolava “advogado fiel” para sua mãe saber que ela estava sendo direita dentro de casa. Esmerilda só tinha certeza de uma coisa: ou terminava de ficar doida ou sua vida estava ficando mais divertida.

Voltando à Campo Grande...

Vagina estava séria. Pensou em parar em alguma casa pra tomar água e sentir-se viva. Molhada e bonita, mas a rala barba a incomodava naquele calor desgraçado de CG (Campo Grande). Avistou de longe uma figura estranha e acreditou ser uma nativa parada em frente à um bar.

- Será um macho-fêmi? – Pensou ela.

Acelerou seus curtos passinhos e foi pedir informação. Sentia-se feliz por dentro ao imaginar outra figura estranha e discriminada naquele interior. E enquanto arrochava o passo, pensava em como se apresentar. Se iria fingir um sotaque falso ou iria fingir um desmaio pra  conseguir um pouco de carinho e atenção. Eram tantas coisas em sua mente [?] que decidiu parar de correr e esperar na calçada próxima a um bar. Ao mesmo tempo Suzana via aquela figura miúda, com uma aparência familiar, mas ela não sabia exatamente ao quê. Do tamanho de um cachorrinho. Parecia uma boneca, mas acreditou ser o suor nas cílios que estava atrapalhando sua visão já distorcida da vida. Suzana não segurou a risada e saiu na carreira. Se fosse um cachorro ela atirava os tamanho e se fosse macumba poderia chutar, afinal, ela estava no auge dos seus 45 anos e ainda queria chutar muita coisa e muita gente. Por quê não fazer o bem, né? De toda a forma não tinha muito o que fazer e muito menos a perder. Não era de Campo Grande e não tinha vindo pra ficar, decidiu extravasar e depois tomar aquela velha cervejinha no boteco.

O encontro era inevitável. Suzana tonta-louca e Vagina sem muita noção de como pedir ajuda a um travesti foram se aproximando. Quando Suzana vai se preparando para dar um chute, naquilo que era entendera ser uma bonequinha do diabo,  cai seca no chão ao ouvir uma vozinha fina dizendo:

- Moço eu vim pedir ajuda, mas se me chutar te rasgo de gilete aqui no calçamento mesmo. Não vem que não sou vagina de apanhar na rua! Não vem que não têm moleza. 

Suzana não sabia se era a fome ou a emoção, mas começou a chorar. Nossa que lindo era ver uma vagininha saudável e com cara de virgem, armada e eloqüente. Que português lindo, que lábios – os grande e os pequenos – mais delicados. A emoção foi tanta que ela só conseguiu chorar e dizer:

- Vem pra mamãe, vagininha linda! Sua fofa!

Vagina que já não sabia de tanta coisa se deixou levar pelo acalento do abraço que estava prestes a receber. E ambas se abraçaram e o suor se misturou com as lágrimas e a secreção vaginal, formando um pequeno rio. Salgado e emocionante. O povo nas calçada não entendia nada, mas também não perderam tempo em ficar ali, já que no bairro vizinho estava tendo uma briga de duas bêbadas.


Será que Vagina e Suzana vão se desgrudar pra tomar a cerveja? Esmerilda vai sair do quintal e tomar  um banho? Dona Zulema (mãe de Esmerilda) vai conseguir um fuxico novo pra levar pra igreja domingo? Não percam o próx. capítulo

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