sábado, 2 de fevereiro de 2013

A Vagina Sem Mulher: Cap. II

-  Recomendado para maiores de 13 anos mentais  -


♪ Foi pensando em me guardar... E querendo não querer. Me dizendo pra esquecer
Foi pensando só em mim, que eu pensei só em você...

II. Prazer, eu sou Suzana.


Enquanto no capítulo passado Vagina lutava pelos seus sonhos, em outra parte  do mundo, mais precisamente próximo ao Carrefour do Igapó, uma jovem senhora na idade da loba não via mais motivo algum para sua existência e planejava assaltar uma farmácia com uma arma de brinquedo. A razão? Buscando emoções, já que seu interior clamava pelo preenchimento que nem a Universal do Reino de Deus pôde lhe dar. Ela buscava sentir-se viva. Tal qual em outrora sentia-se as margens da BR-101. 
Seguindo sua aventura  por ser filmada, levada em flagrante, ser chamada por "você" e não mais senhora, maltratada em um camburão e possivelmente repreendida por homens másculos e viris. Com seu xale preto cobrindo a cabeça e seu falso óculos escuro de grife ela se aproxima do caixa da farmácia, deixando cair sua bolsinha azul com bolinhas, de onde saltaram algumas camisinhas, uma escova elétrica, alguns botões coloridos e sua surrada identidade. O atendente da farmácia prontamente à ajuda a recolher seus pertences e segurando a identidade da mulher diz:

- Posso te ajudar em algo senhora... -lendo a identidade- Mirosleide Oliveira Targino? Veio tirar a pressão ou tomar alguma injeção?

A senhora sorrio e enquanto recompunha os seus pertences e sorridente respondeu

- Não moço, não precisa. Aceito uma água se possível, mas não me chame mais pelo meu antigo nome. Vamos começar de novo gatinho?
- Claro, posso te servir a água.

Voltando para o interior da farmácia e voltando com a água diz:
- Aqui está sua água. Obrigado pelo elogio doce dama. Prazer, Paulinho. Sou novo aqui na farmácia, não conheço muitas pessoas. A senhora é freguesa? 
- Não, não. Também sou nova na cidade, vim só fazer uma cirurgia de urgência. Tive câncer no meu útero inteiro e por graça do destino, tive que extrair minha vagina. Posso te mostrar lá dentro se quiser.

O rapaz constrangido, sorri e diz.
- Obrigado, mas vou ter de recusar o convite dona... Qual o seu novo nome mesmo?
- Prazer, eu sou Suzana.
E rapidamente levanta a blusa e tira de entre seus seios flácidos uma arma de brinquedo, daquelas bem reais dizendo:
- Já que não quis meu corpo por eu não ter vagina, quero que olhe para o cano da minha arma, sorria e acene para as câmeras do circuite interno e assuma que não passa de um homossexualzinho passivo.
O rapaz sem entender mais nada, desmaia.

- Viadinho! Nem para ser refém serve.

Suzana chuta todos os remédios, pega algumas camisinhas e com seu batom vermelho na camisa branca do jovem rapaz de coração fraco, ali desmaiado, os seguintes dizeres: "A desvaginada esteve aqui". 

Em um misto de tristeza e emoção, ela caminha, troca de roupas, corta o cabelo e olhando para o tempo, aguardando ser assaltada ou estuprada a noite na Redinha, pensa sobre seus tempos de juventude, onde era desejada, possuía uma jovem vagina elástica e sonhava em gravar um filme com o Kid Bengala, seu herói pôrno. Sem filhos, sem família e com um nome que a lembrava de sua falecidade mãe, Mirosleide Suzana, refletindo sobre tudo decidi recomeçar, não mais se matar ou se prostituir. Decidi retomar a faculdade que cursava no interior e voltar pra sua terrinha. Ela já tinha certeza que qualquer um homem que ela já tivesse feito sexo já estaria morto ou longe. E em um ato de imaginação e coragem, joga seu salto alto para o mar e grita:
- Se segure Messias Targino, estou voltando para o meu abraço! -risos loucos-

Fez o seu último divertimento em Natal: passou-se por um travesti, fez um programa com algum caminhoneiro e pediu carona para o interior. Suzana estava decidida a ser uma mulher direita, sonhadora e formada em pedagogia, especialista em gestão em espaços não escolares e planejando sua tese de mestrado na pedagogia anal. E enquanto fazia planos e era molestada pelo caminhoneiro, barbudo, sujo e com uma certeza pessoal que Suzana era um travesti, as estradas se passavam. 

"Como é bom voltar a viver!" Pensava ela. Volta e meia sentia a mão boba, olha pro caminho e sorria. Não conseguia acreditar em como era fácil ser má e que não iria mentir mais pra ninguém. Ela o olhava nos olhos e sorria. Pudia ler nos olhos dele os seus desejos anais que aquele gordinho sentia. Mas tudo ia ficar para trás nessa nova vida que ela anseiava para si.

Ao se aproximar de Campo Grande, procurando um lugar para dormirem, ela pede que o baixinho tarado a aguardasse tomar um banho. Ela planejava nem voltar! Procurou um barzinho para tomar uma lapada de cana. Por ironia desse autor do destino, se aproximava desse ambiente sem classe a pequena Vagina, vinda de Patu/RN e em busca de idéias para ir até a NASA.




- Sonhos se encontram em um destino cheio de incerteza. Será que Suzana irá radicalizar em Messias Targino/RN? Será que Vagina vai pros EUA?
Não perca, na próx. semana - 
Comentários
2 Comentários

2 comentários:

  1. fico cá imaginando duas coisas. uma, a visão panorâmica da mulher sem a vagina, e quem será esse Paulinho. Será que conheço?

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