♪ Olha que foi no risca-faca que eu te conheci, dançando & enchendo a cara... VAGINA!
No capítulo anterior, Ilda (ex-tonta) decidiu lutar por tudo que tinha direito enquanto cidadã, ser humana, filha e mulher desvaginada. Iria buscar por sua amiga enquanto terminava o seu supletivo e esperava as férias de setembro. Rumo ao desconhecido. Deixou de ser personagem, pra virar roteirista de sua vida. Morria de medo de ser pecado, mas aprendeu desde cedo que poderia se arrepender depois. Na dúvida, iria arriscar pra recuperar sua Vagina. Já tinha traçado sua rota, ia por Almino Afonso fazendo o "balão" pelas cidades da região. Uma vagininha tão pequena e tagarela não passaria despercebida. Vez por outro o medo a abatia, mas algo no oco entre suas pernas dizia que a distância não era tão grande. Tipo uma bússola de couro. Pouca coisa fazia mais sentido pra Ilda. Pouca coisa também importava, ela havia revirado todos os seus conceitos, toda a sua vida e via que era o certo a se fazer. Quebrar as rotinas, testar os limites e até ter o sonho e arriscar vivê-lo vez por outra. Pular o almoço só pra chegar no lanche. Como sua mãe deveria estar se virando na cova - pensava consigo sobre isso -, mas também não ia mais deixar de viver. Tinha que seguir em frente, guardar os bons sentimentos e deixar o lado ruim da vida na privada. Ser Ilda, quase um furacão.
Enquanto isso em Campo Grande...
Suzana estava tão feliz. Após tantos assaltos, balas perdidas e discutir até cair na gilete brigando com travestis, ela estava se sentindo vencedora. Havia alugado uma casinha e estava lá com sua amiga Vagina. Nossa que divertido. Agora ela entedia o porquê de tantos homens correrem tanto por sua finada vagina.
-"Que coisa boa é ser feminina e completa. Me sinto uma ex-travesti ao mesmo tempo que acho que sou lésbica. Vagina estou louca por você, mulherzinha. Vamos viver assim juntas?"
Que vida bandida essa. Faltavam poucas semanas para voltar as aulas em Patu, estava se aproximando as festividades de setembro e a cidade se enfeitava. Suzana sentia que ia abandonar todas as tentativas de fazer anal, agora que tinha consigo o que lhe faltava das outras 20 ou 30 vezes. Tinhas vários planos, mas um dos primeiros era acabar com as rebeldias de Vagina. Afinal, ela era mais vivida, já tinha feito várias atividades lícitas e ilícitas com o que Deus tinha lhe dado e lhe tomado. Os sentimentos de inveja e repreensão a dominavam. Desejava dopar e amarrar aquela orgãzinha entre suas pernas, mas como?
Já Vagina sentia-se perdida e decidiu tornar-se alcoolátra. Não por falta de conhecimentos sobre os males das bebidas. Mas pensara sozinha que não sabia dirigir, era virgem e não suportava o fardo de ter Suzana com propostas de casamento. Ela que havia saído há alguns meses de Patu para ir para a lua e ainda estava longe de sair até do estado, quanto mais do planeta.
-"Eu enquanto vagina sou um perfeito pâncreas!" - dizia entre uma dose e outra de cachaça.
Sentia-se pequena, rasa, incapaz. Incompreendida. Onde estava o espírito? Que matéria? E as leis da física? Tudo era tão sem fins. Como tudo parecia ser maior que ela. Sentia que Suzana era louca e manipuladora, mas não a manipulava como os dedinhos leves de Esmerilda. Aquele crentinha que amara como nunca outra. Sua amiga, sua comparsa. Colega de tantas brincadeiras de esconde e cheira. Coisas da infância que não voltam mais. Mas antes de pensar em qualquer coisa, continuou bebendo até dormir dentro de uma lixeirinha próxima. Sonhando que estava rumando de volta àquela casinha no bairro do cemitério, trajada não com uma camisinha feminina, mas de astronauta. Usando seu capacete e com a bandeira do flamengo nas costas. Era um sonho encantador...
Em casa, Suzana estava apertando umas calcinhas e pensando no que fazer para a festa que se aproximava. Mas então sentiu uma forte dor de cabeça. Gases se espalharam por toda a casa. Uma podridão só. Pediu ajuda dos vizinhos e foi pro hospital. Pela ausência de médicos especializados em mulheres sem vagina, teve que ser encaminhada para Mossoró com urgência. Ela pensava em tanta coisa, mas não conseguia não temer pela vida. Refletiu tanto e descobriu que o seu vazio não era falta de macho, mas sim as lembranças que tinha em si dos tempos em que passou sendo uma travesti. Como era bom ficar nas esquinas, montar gangues, cobrar pedágio e descobrir vários maridos que adoravam um consolo anal. Tomando soro no corredor e achando graça. Essa era a Suzana que ele aprendera a ser. Quando a sua orgã, havia se tornando um preço que pagou, mas que aprendeu a viver sem. As expectativas que criou em torno de sua amiga Vagina não era de amizade, mas sim de possessão. Suzana estava tendo uma experiência de quase esclarecimento total, talvez fosse o soro em uma veia errada ou algum arrependimento lido em alguma cartaz na Zona Oeste de Natal. Toda forma, não estava em muitas condições de se preocupar com o mundo, queria apenas descansar, arrumar suas malas e partir pra Palmas/TO. Na falta de tanta coisa lá, uma mulher sem vagina seria apenas um detalhe caro e escasso. Se imaginou fazendeira, rica e temida e adormecera ali, com um sorriso safado e chupando o dedo do pé.
Vagina, depois de alguns chutes de suas inimigas travestis, foi para casa decidida à dormir e esquecer quem era e o que seria. Mas ao ver a vizinhaça toda alvoraçada entendeu que Suzana tinha novamente batido com o bujão em alguém da rua. Já era quase rotina os barracos dela, mas algo estava estranho. Não havia nenhuma marca de sangue ou rastro de policia. Sentiu um calafrio atravessando toda a sua vulva. O que seria aquela sensação de aperto que sentia dentro de si? Por onde diabos andava aquela perdida que lhe prometeu amor eterno? Toda forma arrumou suas malas e decidiu, logo cedo iria partir. Não iria se prender mais a ninguém. Deixou escorrer uma lágrima pela sua face, mas estava aprendendo que nem todas as escolhas eram óbvias e nem todos os caminhos eram fáceis. Escreveu um bilhete, vendeu a geladeira roubada que Suzana alegava ter ganho em um bingo anal e pagou o aluguel e a bodega. Arrumou suas poucas roupas, lavou a pouca louça que tinham e a cama. Também separou e arrumou as bolsas de Suzana, sentia em si que ela iria ser perseguida, afinal, era um dos vários apelidos chulos que recebera durante a vida. O pior sempre foi o de fedida, mas sobreviveu aos bullyings e estava ali.
Enquanto isso em Campo Grande...
Suzana estava tão feliz. Após tantos assaltos, balas perdidas e discutir até cair na gilete brigando com travestis, ela estava se sentindo vencedora. Havia alugado uma casinha e estava lá com sua amiga Vagina. Nossa que divertido. Agora ela entedia o porquê de tantos homens correrem tanto por sua finada vagina.
-"Que coisa boa é ser feminina e completa. Me sinto uma ex-travesti ao mesmo tempo que acho que sou lésbica. Vagina estou louca por você, mulherzinha. Vamos viver assim juntas?"
Que vida bandida essa. Faltavam poucas semanas para voltar as aulas em Patu, estava se aproximando as festividades de setembro e a cidade se enfeitava. Suzana sentia que ia abandonar todas as tentativas de fazer anal, agora que tinha consigo o que lhe faltava das outras 20 ou 30 vezes. Tinhas vários planos, mas um dos primeiros era acabar com as rebeldias de Vagina. Afinal, ela era mais vivida, já tinha feito várias atividades lícitas e ilícitas com o que Deus tinha lhe dado e lhe tomado. Os sentimentos de inveja e repreensão a dominavam. Desejava dopar e amarrar aquela orgãzinha entre suas pernas, mas como?
Já Vagina sentia-se perdida e decidiu tornar-se alcoolátra. Não por falta de conhecimentos sobre os males das bebidas. Mas pensara sozinha que não sabia dirigir, era virgem e não suportava o fardo de ter Suzana com propostas de casamento. Ela que havia saído há alguns meses de Patu para ir para a lua e ainda estava longe de sair até do estado, quanto mais do planeta.
-"Eu enquanto vagina sou um perfeito pâncreas!" - dizia entre uma dose e outra de cachaça.
Sentia-se pequena, rasa, incapaz. Incompreendida. Onde estava o espírito? Que matéria? E as leis da física? Tudo era tão sem fins. Como tudo parecia ser maior que ela. Sentia que Suzana era louca e manipuladora, mas não a manipulava como os dedinhos leves de Esmerilda. Aquele crentinha que amara como nunca outra. Sua amiga, sua comparsa. Colega de tantas brincadeiras de esconde e cheira. Coisas da infância que não voltam mais. Mas antes de pensar em qualquer coisa, continuou bebendo até dormir dentro de uma lixeirinha próxima. Sonhando que estava rumando de volta àquela casinha no bairro do cemitério, trajada não com uma camisinha feminina, mas de astronauta. Usando seu capacete e com a bandeira do flamengo nas costas. Era um sonho encantador...
Em casa, Suzana estava apertando umas calcinhas e pensando no que fazer para a festa que se aproximava. Mas então sentiu uma forte dor de cabeça. Gases se espalharam por toda a casa. Uma podridão só. Pediu ajuda dos vizinhos e foi pro hospital. Pela ausência de médicos especializados em mulheres sem vagina, teve que ser encaminhada para Mossoró com urgência. Ela pensava em tanta coisa, mas não conseguia não temer pela vida. Refletiu tanto e descobriu que o seu vazio não era falta de macho, mas sim as lembranças que tinha em si dos tempos em que passou sendo uma travesti. Como era bom ficar nas esquinas, montar gangues, cobrar pedágio e descobrir vários maridos que adoravam um consolo anal. Tomando soro no corredor e achando graça. Essa era a Suzana que ele aprendera a ser. Quando a sua orgã, havia se tornando um preço que pagou, mas que aprendeu a viver sem. As expectativas que criou em torno de sua amiga Vagina não era de amizade, mas sim de possessão. Suzana estava tendo uma experiência de quase esclarecimento total, talvez fosse o soro em uma veia errada ou algum arrependimento lido em alguma cartaz na Zona Oeste de Natal. Toda forma, não estava em muitas condições de se preocupar com o mundo, queria apenas descansar, arrumar suas malas e partir pra Palmas/TO. Na falta de tanta coisa lá, uma mulher sem vagina seria apenas um detalhe caro e escasso. Se imaginou fazendeira, rica e temida e adormecera ali, com um sorriso safado e chupando o dedo do pé.
Vagina, depois de alguns chutes de suas inimigas travestis, foi para casa decidida à dormir e esquecer quem era e o que seria. Mas ao ver a vizinhaça toda alvoraçada entendeu que Suzana tinha novamente batido com o bujão em alguém da rua. Já era quase rotina os barracos dela, mas algo estava estranho. Não havia nenhuma marca de sangue ou rastro de policia. Sentiu um calafrio atravessando toda a sua vulva. O que seria aquela sensação de aperto que sentia dentro de si? Por onde diabos andava aquela perdida que lhe prometeu amor eterno? Toda forma arrumou suas malas e decidiu, logo cedo iria partir. Não iria se prender mais a ninguém. Deixou escorrer uma lágrima pela sua face, mas estava aprendendo que nem todas as escolhas eram óbvias e nem todos os caminhos eram fáceis. Escreveu um bilhete, vendeu a geladeira roubada que Suzana alegava ter ganho em um bingo anal e pagou o aluguel e a bodega. Arrumou suas poucas roupas, lavou a pouca louça que tinham e a cama. Também separou e arrumou as bolsas de Suzana, sentia em si que ela iria ser perseguida, afinal, era um dos vários apelidos chulos que recebera durante a vida. O pior sempre foi o de fedida, mas sobreviveu aos bullyings e estava ali.
Não percam todos os desfechos que se entornam ao redor da Serra.