Karol encontra-se outra vez perdida olhando no espelho sujo de seu pequeno banheiro sem cor. Ela busca uma saída em meio ao castanho claro dos seus olhos de cílios volumosos. Queria estar procurando uma espinha, mas se vê lavando o rosto para fugir das lágrimas que ainda não cessaram. É um fluxo de tristeza que viaja em suas veias. O amargo de todas aquelas palavras não ditas são agora o fardo que pretende carregar, pois prometeu seguir e em nome do que foi bom. Karol sempre foi a mais tímida, a menor e a confusa. Seu metro e cinquenta e seis de altura, sua pele morena e seu cabelo bagunçado já não importava para sua amiga querida. Envolta em tanta dor, gostaria de ter ligado nas últimas semanas, mas sabe, em seu âmago, que nada poderia ter feito, pois ninguém nunca conseguiria impedir o que aconteceu. Todas as boas memórias postadas no mural da vida, aquela cadeira amarela e o sorriso de quem se foi estão ligados por um fio de sentimento. Saudade já tem cara de Maria.

Cheio de ausência, como o poder da literatura é capaz de retratar nossas realidades! Todos temos uma gota de Karol.
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