Omar cantou mil vezes aquela canção sobre nós dois. Ele soube desde o primeiro instante que aquilo era amor. Ele nunca foi o melhor exemplo, mas sempre foi tido como uma boa pessoa. Sonhou ter filhos, ensiná-los a pescar e a frequentar a igreja aos domingos. Não que ele fosse religioso, mas considerava um bom hábito: sentar e ouvir. Ele queria estar lá para ver seus futuros filhos andando de bicicleta pela rua e preparando algum tipo de apresentação escolar para que contassem o quão atencioso era seu pai. Ele ria, sorria e logo então voltava a sua forma natural. Segurava minha mão sempre que podia e dizia que ainda iríamos viajar. Não o mundo, pois Omar não era tão ambicioso ou sonhador, mas talvez conhecer o litoral ou desbravar a capital. Ele não era desses de sonhar tanto, pois temia o pecado e as decepções do cotidiano. Ele nunca me perdoou por ter ido embora. Qualquer ônibus me faz lembrar dele gritando meu nome. Mil vezes é como gosto de pensar para tentar me sentir mal. No fundo sempre o admirei por ser medíocre. Quisera eu caber em seus sonhos enlatados, mas não saberia ser o padrinho das ilusões que ele agonizava pra si.

Não sei se é, mas encarei como o outro olhar da publicação anterior, uma sequência, achei o amado frio, perante o forte sentimentalismo exposto pelo que ama (no texto anterior), mas não se nega as altas doses de liberdade deste personagem em relação às suas ambições!
ResponderExcluir