Sabrina não atendia o telefone, nem respondia as inúmeras
mensagens ou dava algum sinal de vida. Ela era aquela menina perfeita criada na
régua religiosa de sua família. Cercada pelas paredes do pecado, ela não
cresceu. Em nosso primeiro encontro percebi que ela já havia me visto antes e
aceitando meu eu enquanto eu a julguei pela aparência. Ela sempre diz a coisa
certa e educada. Não entendo o que se passa ou pior, não quero entender. Ontem saímos
para tomar um sorvete e é aí que a gente ri, tocamos nossas mãos e eu comparo
seus tons aos meus. Seu calor tão bom e o pulso que ganha força ao embalo do
tambor desse sentimento novo. Não sei quanto tempo ficamos nos olhando, mas foi
o bastante para que a mãe dela, abruptamente, a leva-se de mim. Foi uma
eternidade de segundos. A mãe da Sabrina questionou aquela cena e não economizou
pragas para mim. Ela disse ser uma mulher honrada, feita do barro, então a
chamei de frágil, falei no impulso, disse que éramos feitas de amor. Sabrina
ficou rubra e a mãe dela esbofeteou meu rosto. Gastei meu melhor sorriso, olhei
em seus olhos e a fiz soltar os cabelos da que chamei de minha amada. Foram
sinistros minutos de tensão. Sabrina beijou meu rosto, sorriu e eu entendi que
ela tinha que ir para casa. A górgona a levou para casa. E eu estou aqui. 3 da
manhã pensando se tenho ou tinha uma namorada.
